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Após Bilbo Bolseiro despedir-se de Gandalf, partindo em viagem para Valfenda, ele entoa uma cantiga de viajantes, muito comum na Terra-média, pois Gandalf também canta a mesma canção em outros momentos, e achei apropriada para abrir este texto. Leia, entenda e reflita:

forest

A Estrada em frente vai seguindo
Deixando a porta onde começa.
Agora longe já vai indo,
Devo seguir, nada me impeça;
Em seu encalço vão meus pés,
Até a junção com a grande estrada,
De muitas sendas através.
Que vem depois? Não sei mais nada.

J.R.R. Tolkien – O Senhor dos Anéis, A Sociedade do Anel

Pois bem. Ultimamente, ou não tão ultimamente assim, estou com algumas indagações que não me dão sossego: Como fazer para enfrentar os medos ? Como tomar a decisão mais certa ?

Não sei. Quero ver se consigo chegar em algum lugar com este texto.

Como definir o que sinto ? Seria só medo mesmo ? Não, acho que há algo mais. Um quê de preguiça, um quê de acomodamento, também. O problema em não arriscar está em não se realizar. “Quem não arrisca não petisca”, já dizia alguém muito sábio.

Acho que tenho medo de cair na mesmice. De arriscar e continuar tão entediado ou chateado quanto antes. Mas não é algo previsível, então, não dá pra ter certeza.

Já passei por isso. Já escrevi o raciocinio do que deve ser feito, diversas vezes inclusive. Não adianta. Posso escrever mais um milhão de vezes como devo proceder, não é assim que mudarei. Só mudarei quando tomar a atitude necessária. Ficar “patinando em sabão” não vai me levar a lugar algum.

Vou ter que me arriscar, tentar. É difícil, porque de acordo com a criação que tive e com o que as pessoas me disseram, criou-se em mim uma forma de pensar fixa. Essa forma fixa de pensamento é péssima para minha evolução pessoal. É como uma barreira que impede meu livre pensar, meu livre agir. É um muro criado pela sociedade, que me empareda no meu lugar-comum.

Esse lugar-comum é um ambiente socialmente aceitável e seguro, onde sei onde estou e sei razoavelmente bem onde estarei no futuro. Minha vida será estável, não serei de todo triste, não passarei fome nem necessidade… mas não terei alcançado tudo o que poderia. Não terei exercido tudo o que possuo, toda a minha capacidade… estará desperdiçada em algum porão psíquico dentro de mim.

A saída que vejo é forçar essa barreira, tentando derrubá-la ou atravessá-la. Tirando-a de dentro da minha personalidade, poderei ser o que realmente sou, sem impedimentos. Sem nenhuma barreira auto-imposta.

Mas isso exige muita força de vontade. Estou lutando contra meus próprios pré-conceitos, e este é o maior desafio. Quem pode fazer isso além de mim ? Ninguém. Ninguém pode, e ninguém consegue. Esta é minha tarefa, pois tem de ser assim. É essencial para que eu realmente aprenda.

Então agora o que devo fazer é reunir forças. Juntar toda a força que conseguir, traçar um plano e executá-lo, por mais temeroso que eu esteja. Acho que preciso ser mais otimista, pensar positivo. Se eu começar algo já pensando que dará errado, não vai funcionar…

Fora tudo isso, preciso saber o que quero. Este é o principal ponto. Ouvir meu coração (é a pura verdade, pois mais brega que essa afirmação possa parecer), sentir o que eu quero, do fundo da minha alma. Quais são meus maiores anseios ? Qual é a ocupação pela qual vale a pena dedicar a vida ? O que me faz sentir completo, realizado, dentro do meu caminho ? O que é que me faz querer me dedicar mais e mais, sempre ? Em que posso aplicar minha criatividade, minha sensibilidade, meu raciocínio, meu esforço ? Hehehe… Estou começando a ter bons palpites…

Você já se fez essas perguntas ? Se não fez, deveria. Pergunte a si mesmo. Quais as respostas para essas perguntas ? Como você é, como você pensa ? Seja sincero consigo mesmo. Aprenda com você. Conheça mais você, sem receio do que possa encontrar. Não é fácil, pois as vezes temos partes nossas que não nos agradam, mas que são partes que estão precisando de nossa atenção. Cuide de si, de todas as “partes”, em sua totalidade, sem negligenciar nada. O autoconhecimento é o maior tesouro que um ser humano pode possuir, muito além de quaisquer riquezas materiais. Isso é algo em que ainda estou engatinhando…

Bom, agora vem a parte mais difícil. Aplicar tudo na prática, na vida, no dia-a-dia. Tenho que lembrar que, o que estou fazendo, é pra mim mesmo. É para minha realização, para encontrar meu lugar na vida, pois se continuar como estou, é como uma turbina a jato sem estar acoplada a um avião: imenso potencial para voar nas alturas, mas sem o meio físico para isso.

Voltando à história de Bilbo Bolseiro do livro “O Hobbit”: ele deixou o calor de sua lareira, de sua despensa lotada de guloseimas, e partiu em busca do desconhecido, em busca do tesouro de um dragão solitário. Bilbo tinha em seu sangue as duas personalidades: o lado Bolseiro de seu pai, que apreciava a vida mansa e a calmaria; e o Tûk de sua mãe, que descendia de seus parentes aventureiros, desde Urratouro; às vezes o lado Tûk fervia dentro dele, uma vontade incompreensível de aventura, de desbravamento do desconhecido… de viagens longas, de florestas densas e montanhas rochosas. Pois bem, é minha hora de despertar o meu Tûk interno. Pois que ele venha ! Já é chegada minha hora de conquistar o tesouro do Dragão !

Encontrar a paz é algo que todos querem. Mas muitos confundem o que exatamente é a paz.

Paz não significa letargia, imobilidade… tédio. Paz é um estado de espírito, em que a pessoa se sente tranquila e/ou realizada. Realizada, nesse sentido, quer dizer “conseguir o que queria”, ou “atingir o objetivo”. Mas, para conseguirmos isso precisamos lutar. Lutar para conseguir o que queremos, para atingirmos nosso objetivo. Ora, mas o objetivo não é a paz ? Sim. E precisamos lutar pela paz ? Sim.

Parece contraditório, paradoxal. Lutar pela paz, sendo que a paz é justamente a ausência de luta. Mas é assim que tem que ser. Da luta, chegamos à paz. Da paz, vamos à luta, porque não dá pra ficar parado o tempo todo, letárgico, sem ter objetivos. Isso seria igual à morte, pois paz eterna significa isso. Imobilidade total, para sempre.

Só há uma forma de termos paz eterna e não ser igual a morte. Teremos paz eterna quando atingirmos todos os objetivos, e conseguirmos tudo o que queremos. Seremos tão grandes, tão cheios de experiência por termos trilhado todos os caminhos para atingirmos todos os objetivos, que não haverá mais segredos para nós. Tudo se tornará claro, pois teremos visto tudo. De fato, ao conseguirmos tudo, nós seremos O Todo. Então, não haverá mais nada escondido de nós.

Daí, somente daí, teremos paz. Pois a paz só é alcançada através da luta pelos nossos anseios mais profundos.

Às vezes temos amostras do que significa a paz. Temos essa sensação quando passamos em concursos, compramos aquele carro que queríamos tanto, encontramos alguém especial para amar, conhecemos pessoas e lugares que há muito queríamos ver, comemos naquele restaurante novo que abriu no centro…

Ultimamente tenho sentido bastante essas pequenas parcelas de paz, ou serenidade. Tenho conseguido atingir vários objetivos em curtos períodos de tempo, e tenho uma serenidade e complacência enormes agora. Essas sensações são muito boas.     Estou tão bem como não me sentia há tempos. Por isso, digo que vale a pena lutar. E digo lutar não apenas em acordar cedo e ir trabalhar todos os dias, e “suar a camisa”. Digo lutar também no âmbito interno de cada um de nós. Lutar contra o desespero, a tristeza, a solidão, a melancolia. Lutar contra tudo isso, mandando-os para bem longe. Não somente lutar contra o mal, mas principalmente, lutar a favor do bem. Lute pelo bem. Às vezes isso é muito mais eficaz do que lutar contra o mal. Lutando pelo bem e conseguindo as parcelas de serenidade, damos exemplo às pessoas que estão ao nosso redor de como agir para que elas também se realizem, e sejam mais felizes…

Bom, é isso que eu queria compartilhar. Namastê !

Namastê ou Namaskar é uma saudação usado no sul asiático, da mesma forma como “olá” ou “adeus” seriam usados em português. O significado, porém, é diferente. Em sânscrito, na reflete uma simples negação. Mah refere-se ao ego. Portanto, namah significa “obediência, saudação reverencial, adoração ao seu eu interior”, mas não ao seu ego. Te é o dativo do pronome pessoal tvam, “tu”. Uma tradução poderia ser: “uma saudação reverencial ao seu eu interior”, ou “o deus que há em mim saúda o deus que há em ti”.

Fonte: wikipedia

Olá consciência coletiva global (vulgo Internet),

Acostume-se com o Não-Acostumamento !

– patenteado para TiagoMaisUm. Proibida a cópia ou utilização sem autorização prévia. Copyright© 2008. Todos os direitos reservados.

Haha, Ok, brincadeiras à parte…

Falando sério, estou aprendendo a usar isso. A não me acostumar com coisa alguma. Pois, uma hora ou outra, tudo mudará. “Tudo está em constante transformação”. Aí está uma frase clichê que, assim como tantas outras, é a pura verdade. E assim como todas as frases clichês, as pessoas a ouvem e não se dão ao trabalho de refletirem um pouco mais sobre a mesma.

Absolutamente tudo está em movimento, tudo se direciona para algum lugar, quer queiramos ou não. Desde a mais ínfima partícula no átomo até os aglomerados estelares, tudo se movimenta. Até os pensamentos. Até os sentimentos…

Apesar disso, temos uma tendência a cristalizar as coisas. Temos essa mania engraçada de dizer que tal coisa é assim, outra coisa é assado… mas considerando a “inestaticabilidade” das coisas, o que é agora já não é mais, pois deixou de ser aquilo assim que você pronunciou (ou pensou) a frase.

Muito complicado ? Ok. Tomemos um exemplo. Digamos que você está olhando para um prego na parede. Você olha para ele e diz “Isso é um prego”. No instante seguinte, ele ainda é um prego, é claro. O que voce esperava ? Que ele se transformasse em um Pintassilgo ? (Sempre quis falar isso, haha) É claro que não. Mas você não tinha como AFIRMAR COM CERTEZA.

Essa é a beleza do momento, do paradoxo do passado, presente e futuro. O prego estava ali, era um prego, mas NADA assegurava que ele ainda seria prego no momento seguinte – algo poderia ocorrer fazendo com que ele mudasse de forma, mudasse de estado físico ou perdesse sua integridade atomica… entre tantas outras milhares de possibilidades.

OK, talvez eu não tenha sido muito feliz no meu exemplo, mas creio que deu para entender o ponto principal. O que eu quero dizer com isso é que o melhor a ser feito é “acostumar-se com o não-acostumamento” de todas as coisas. É difícil, pois a inércia de pensamento e situações faz com que nos sintamos confortáveis em achar que tudo está bem e permanecerá bem. A estabilidade nos traz tranquilidade. E quando menos esperamos, tudo muda. TUDO PODE MUDAR NUM PISCAR DE OLHOS. De fato, tudo realmente está mudando a cada piscar de olhos, mas você não nota isso.

Voltemos ao prego. Quando você diz “Isso é um prego”, entre o começo e o fim da frase, os átomos do prego vibraram milhões de vezes, seus elétrons trocaram cargas com o ambiente ao seu redor, absorvendo e eliminando energia… entre tantas outras milhares de interações que ocorreram nesses poucos segundos. Nesse ínterim, pode-se dizer que o prego já nao é o mesmo, pois os átomos se modificaram, os átomos entre si já eram diferentes no final da pronúncia da frase.

Pois bem, isso foi só com o prego. Agora, aplique isso para todo o universo. Para todos os átomos de todas as moléculas, tudo mudando e trocando e transformando… imagine… (pausa para imaginar)… Fantástico, não ?

E lembre-se que isso foi apenas com o mero aspecto físico detectável por nossos sentidos e/ou invenções da ciência. Lembre-se que o ser humano só é capaz de detectar uma determinada faixa de frequência em cada um de seus cinco sentidos. Você enxerga todas as cores da luz visível, mas não vê abaixo do infravermelho ou acima do ultravioleta. Esse mesmo exemplo é aplicado para olfato, audição, paladar e tato. Certos animais conseguem detectar faixas de frequência maiores que nós, humanos, e isso já foi comprovado. Portanto, disso extrai-se que o ser humano é sim, fisicamente falando, bastante limitado. Claro que há meios de transcender essas barreiras físicas, mas isso fica para outro dia senão vou me perder muito na linha de pensamento aqui.

Então, tudo está mudando, tanto quanto nas faixas de frequência que conseguimos perceber assim como nas que não conseguimos. A principal consequência em não estar preparado para as bruscas mudanças que encontramos a cada momento é… sofrimento. Sofremos por não aceitarmos o que acontece conosco e às pessoas à nossa volta. Sofremos por acontecer coisas desagradáveis com a gente. Sofremos ao ver que o que estava bom não está mais.

Acho que a melhor maneira de remediar isso é aceitar o presente, e viver o presente, e deixar que o futuro venha como tiver de ser. Aceitar o presente e abraçá-lo, e procurar encarar o presente da melhor forma, pois talvez você esteja vivendo o auge do seu momento BEM AGORA, mas não está percebendo. Talvez na próxima esquina você passe por problemas e aí talvez demore um pouco mais para vir uma onda de “bons acontecimentos” de novo… sim, pois tudo é cíclico… esse é outro assunto que quero abordar mais profundamente depois, o aspecto cíclico do universo…

Outro fator que tenho notado ser bastante eficiente é você se centralizar. Focar em si. Olhar para dentro e ver se você está feliz, satisfeito, se está tudo OK. Olhar para dentro e consertar o que precisa de reparos, melhorar o humor aqui e ali, talvez fazer um exercício aqui e ali, alimentar-se melhor, comendo um pouco disso ou daquilo. Encontrar o equilíbrio Interno, ou seja, físico, mental, sentimental e espiritual. Isso com certeza te tornará muito, mas MUITO mais resistente a mudanças, porque você se tornará como uma rocha resistente, como uma ilha de pedra sólida em meio ao oceano das instabilidades da vida. Tenho procurado isso, e tem me auxiliado bastante…

As minhas metas nos últimos tempos têm sido, entre elas, de sorrir no presente, agradecer ao Universo pelo Agora, e sorrir face aos desafios e aos problemas que aparecerem. Sorrir diante da Vida, diante dos fatos diários, que se sucedem, vêm e vão e se mostram tão passageiros diante do Infinito que tenho adiante, diante da Felicidade e das Conquistas que estão vindo ao meu encontro, pouco a pouco. Tudo isso está vindo ao encontro de todos nós, não tenho a menor dúvida. Pois somos filhos do Cosmos e, portanto, herdeiros de sua Magnitude.

Sorria sim, pois tudo passa, inclusive uva passa. Não podia deixar de fazer uma piadinha infame =P

Aqui vai um poeminha muito singelo, que ouvi muito durante minha infância e que sempre me ajuda em diversos momentos… me faz lembrar de uma das maiores lições de vida que já tive (obrigado, mãe !) :

Lembrança, quanta lembrança
Dos tempos que já lá vão!
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão!
Como vais, como te apartas,
E que sozinho que estou!
Ó meu castelo de cartas,
Quem foi que te derrubou?
Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão;
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.
Mas sempre, sem que te iludas,
Cantando no mesmo tom,
Só tu, coração, não mudas,
Porque és puro e porque és bom!

Coração – Guilherme de Almeida

Sorria do perigo, do medo , da tristeza e da dor. Sorria com ironia, com sarcasmo. Olhe para esses fatos passageiros e pense “Já derrotei você. Você é um adversário vencido, pois no final, eu sempre serei triunfante!” O segredo da felicidade está AQUI e AGORA. Você tem o poder, eu também tenho. Sempre tivemos, mas nunca soubemos como usá-lo.

Somos todos Padawans compartilhando experiências…

Que a força esteja com todos nós !

Até breve !

Continuando com a transcrição do capítulo “Crenças Tibetanas” do Livro “A Terceira Visão” de Lobsang Rampa, o autor descreve os serviços religiosos dedicados ao mortos, a crença na reencarnação, nas viagens astrais e outras coisas mais…

Caso você não tenha lido a primeira parte, é recomendável que faça um pequeno retorno para pegar o “fio da meada” antes de continuar sua leitura:

O Tibete de Lobsang – parte I

Continuando com a parte II…

Rezam-se serviços para guiar espíritos a intervalos frequentes. A morte, para os tibetanos, não encerra terror algum, pois acreditam que se tomarem certas precauções a passagem de uma vida para a outra pode ser grandemente facilitada. Mas para isso é necessário seguir caminhos perfeitamente definidos, pensar segundo certos princípios. Esses serviços religiosos são conduzidos num tempo com a presença de cerca de trezentos monges. No centro do templo fica um grupo de cinco lamas telepáticos sentados num círculo, virados para dentro. Enquanto os monges, dirigidos pelo abade, entoam seus cânticos, os lamas tentam manter contato telepático com almas errantes. É impossível fazer uma tradução das orações tibetanas que lhes faça inteira justiça, mas aí fica uma tentativa:

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós que andais perdidos nas regiões marginais. Os vivos e os mortos vivem em mundos separados. Onde poderemos ver as vossas caras e ouvir as vossas vozes? Acendemos agora o primeiro pau de incenso para atrair uma alma errante e guiá-la ao seu caminho.”

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós que andais perdidos. As montanhas erguem-se para o céu, mas nenhum som se ouve. As águas são encrespadas pelas brisas suaves e as flores continuam a florir. As aves não voam quando vos aproximais porque não vos podem ver nem pressentir. Acendemos um segundo pau de incenso para atrair uma alma errante e guiá-la ao seu caminho.”

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós que andais perdidos. Este é um mundo ilusório. A vida não passa de um sonho. Todos os que nascem morrem. Só o caminho de Buda conduz à vida eterna. Acendemos agora o terceiro pau de incenso para atrair uma alma errante e guiá-la no seu caminho.”

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós, guerreiros e invasores que feriram e mataram. Onde estão agora as vossas hostes? A terra geme e as ervas daninhas crescem nos campos de batalha. Acendemos agora o quinto pau de incenso para atrair as almas solitárias de generais e senhores para que sejam guiadas.”

“Escutai as vozes das nossas almas, artistas e escritores, todos os que trabalham a pintar e a escrever. Foi em vão que esforçastes as vossas vistas e gastastes as placas de escrever. Nada é lembrado do vosso esforço e as vossas almas continuam. Acendemos agora o sexto pau de incenso para atrair e guiar as almas de artistas e escritores.”

“Escutai as vozes das nossas almas, virgens belas e damas suntuosas, cuja juventude podia ser comparada à frescura das manhãs de primavera. Depois das carícias dos amantes vem o quebrar dos corações. O outono, depois o inverno, chegam, as árvores e as flores murcham, assim como a beleza, e tornam-se meros esqueletos. Acendemos agora o sétimo pau de incenso para atrair as almas das virgens e das damas e guiá-las, libertando-as das ligações deste mundo.”

“Escutai as vozes das nossas almas, mendigos e ladrões, todos os que cometeram crimes contra os seus semelhantes e não podem agora descansar. As vossas almas vagueiam sem amigos pelo mundo e não encontrais justiça dentro do próprio peito. Acendemos agora o oitavo pau de incenso para atrair todas as almas pecadoras que agora vagueiam sozinhas.”

“Escutai as vozes das nossas almas, prostitutas, mulheres da noite e todos aqueles sobre quem se cometeram pecados e que vagueiam agora sozinhos nos reinos espectrais. Acendemos agora o nono pau de incenso para os atrair e guiar, libertando-os das prisões deste mundo.”

Na penumbra do templo, impregnado de incenso, as luzes bruxuleantes das lamparinas de manteiga faziam as sombras dançar, como vivas, por trás das imagens douradas. A atmosfera tornava-se tensa com a concentração dos monges telepáticos que se esforçavam por manter contato com os que tinham deixado este mundo, mas que no entanto a ele ainda se encontravam ligados.

Monges de mantos vermelhos, sentados em linhas, frente a frente, entoavam a litania dos mortos; tambores ocultos batiam os ritmos do coração humano; de outras partes do templo, como de um corpo vivo, ouvia-se o murmurar de vísceras humanas, o correr dos fluidos do corpo humano, o suspirar do ar nos pulmões. Conforme a cerimônia avançava e se davam direções às almas dos mortos, o ritmo desses sons corporais transformavam-se, tornava-se mais lento, até que por fim se ouvia o som do espírito a abandonar o corpo. Um estertor ofegante e tremente – e silêncio. O silêncio que vem com a morte. Naquele silêncio, mesmo o menos psíquico dos indivíduos podia sentir que havia outros seres à volta esperando, escutando. Gradualmente, à medida que as instruções telepáticas continuavam, a tensão diminuía quando os espíritos errantes seguiam para o estágio seguinte na jornada.

Nós acreditamos firmemente que o espírito renasce vezes consecutivas. Mas a sua volta pode não se processar neste planeta. Há milhões de mundos, e nós sabemos que a maioria deles é habitada. Esses habitantes podem ser de formas muito diferentes das  que nós conhecemos, podem até ser superiores a seres humanos. Nós, no Tibete, nunca aceitamos a doutrina de que o homem constitui a mais elevada e a mais nobre de todas as formas de vida. Acreditamos que em outros mundos se encontram formas vivas muito mais aperfeiçoadas, e que essas não se divertem a lançar bombas atômicas. No Tibete ouvi relatos de objetos estranhos que tinham sido vistos no céu, “os carros dos deuses”, como a maioria das pessoas lhe chamaram. O Lama Mingyar Dondup contou-me que um grupo de lamas tinha estabelecido comunicação telepática com esses “deuses”, que disseram que estavam a observar a Terra, ao que parece exatamente com o mesmo espírito com que os humanos visitam um jardim zoológico para observar animais selvagens e perigosos.

Muito se tem escrito acerca da levitação. A levitação é possível, vi-a praticada muitas vezes, mas requer imensa prática. Não há vantagem alguma em praticar levitação, uma vez que existe um sistema muito mais simples. As viagens astrais são mais práticas e certas. A maioria dos lamas entrega-se à sua prática, e qualquer pessoa com a paciência preparada pode entregar-se a essa arte útil e agradável.

Durante as horas em que estamos acordados a nossa alma encontra-se encerrada no corpo físico, e a menos que se tenha grande treino é impossível separar as duas entidades. Quando dormimos, só o corpo físico necessita de repouso, o espírito liberta-se e geralmente vai para o reino do espírito exatamente como uma criança volta ao seu lar ao fim de um dia na escola. A alma e o corpo mantêm-se em contato por meio do “cordão de prata”, cuja capacidade de extensão é infinita. O corpo mantém-se vivo desde que o cordão de prata se mantenha intacto; por ocasião da morte, o cordão quebra-se quando o espírito renasce para a outra vida, exatamente como a um bebê o cordão umbilical é cortado para o separar do corpo materno; o nascimento, para um bebê, representa o fim da vida abrigada que viveu no útero materno. A morte, para o espírito, é um novo nascimento no mundo mais livre do espírito. Enquanto o cordão de prata está intacto, a alma tem liberdade para vaguear durante o sono, ou, no caso de indivíduos especialmenete treinados, mesmo durante os períodos de consciência. Esse vaguear do espírito dá origem a sonhos, que não são mais que impressões transmitidas ao longo do cordão de prata. Quanto ao cérebro físico, recebe estas impressões, racionaliza-as para as fazer compreensíveis à luz da sua experiência terrena. No mundo do espírito não existe tempo – “tempo” é um conceito puramente físico – e por isso temos os casos freqüentes de sonhos longos e complexos que parecem ocorrer durante uma fração de segundo. Provavelmente todos conhecem a experiência de sonhar com uma pessoa distante, um amigo que vive para além dos mares, que se encontra e com quem se fala. Recebe-se nesse sonho uma mensagem, e ao acordar tem-se geralmente a sensação de qualquer coisa de que é preciso recordar. Com frequência fica-nos na memória esse encontro com um amigo ou parente distante e não nos surpreendemos ao receber notícias dessa pessoa dentro de pouco tempo. Naqueles que não são treinados, essa memória é por vezes deformada e o resultado é um sonho ilógico ou um pesadelo.

– Trecho extraído do livro “A Terceira Visão” de Lobsang Rampa, editora Círculo do Livro, páginas 132 a 136.

Ultimamente tem havido uma polemica muito grande em torno do Tibete com relação ao jugo chinês a esse pequeno país pacífico, então resolvi publicar algumas informações culturais desse povo tão pacato, religioso e ímpar, mas que infelizmente tem sofrido bastante.

Passei a me interessar e a gostar do Tibete desde que li os livros de Lobsang Rampa, pois ele descreve os costumes, tradições, religião e a cultura em geral de seu povo com bastante objetividade e riqueza de detalhes. Resolvi aproveitar um capítulo de seu famoso livro, “A Terceira Visão”, em que ele faz uma breve descrição dos principais costumes de sua terra natal. Irei publicando este capítulo aos poucos pois do contrário ficaria um tanto sobrecarregada a leitura. Espero que apreciem o contato com essa cultura tão diferente da nossa.

Capítulo dez

CRENÇAS TIBETANAS

Talvez seja interessante, nessa altura da minha narrativa, fornecer alguns pormenores acerca do nosso estilo de vida. A nossa religião é uma variante do budismo, mas não existe nas línguas ocidentais qualquer palavra pela qual se possa traduzi-la literalmente. Referimo-nos a ela como “A Religião”, e aos que praticam  a nossa fé chamamos “internos”, enquanto a todos os outros chamamos “externos”. A palavra mais aproximada existente no Ocidente é o “lamaísmo”. Difere do budismo por ser uma religião de esperança e de crença no futuro.. Para nós, o budismo parece uma doutrina negativa, uma religião de desespero. Não faz parte das nossas crenças que um pai onisciente observe e guarde toda a gente por toda a parte.

Muita gente culta tem tecido comentários eruditos sobre a nossa religião. Muitos nos condenam simplesmente por estarem cegos pela própria fé e serem incapazes de ver de outra maneira. Outros vão ao ponto de nos chamarem “satânicos” simplesmente porque os nossos costumes lhes são estranhos. A maioria desses comentadores baseia as suas opiniões em informações ou nos escritos de outros. É possível que alguns, bem poucos, tenham estudado as nossas crenças durante uns dias, e assim se julguem na posse de conhecimentos que os tornem suficientemente habilitados para escrever livros e para interpretar e divulgar o que os nossos sábios mais argutos levam vidas inteiras para descobrir.

Imaginem-se os ensinamentos colhidos por um budista ou um hindu que folheasse durante uma ou duas horas as páginas da Bíblia e depois se atrevesse a explicar as sutilezas da doutrina cristã ! Nenhum desses escritores que se têm ocupado do lamaísmo viveu como monge num lamastério a estudar os nossos livros sagrados. Tais livros são secretos; secretos na medida em que não estão ao alcance daqueles que querem obter a salvação rápida, sem esforço. Aqueles que querem a consolação de um ritual, uma forma de auto-hipnotismo, que a procurem, se isso os faz mais felizes. Mas isso não corresponde à Realidade Última, não passa de uma forma de se enganarem a si próprios como crianças. Para alguns talvez seja reconfortante poder pensar que podem cometer pecado atrás de pecado, e que depois, quando a consciência começa a tornar-se incômoda, basta uma oferenda aos deuses no templo mais próximo para obter perdão imediato, completo e certo, de forma a poderem recomeçar a sua nova série de pecados. Existe um Deus, um Ente Supremo. Que importância tem o nome que se lhe dá? Deus é um fato.

Os tibetanos que estudaram os verdadeiros ensinamentos de Buda nunca oram a pedir mercês ou favores; limitam-se a pedir que lhes  seja dado contar com a justiça dos homens. Um Ente Supremo, por natureza, a própria essência da justiça, não pode mostrar compaixão por um e negá-la a outro, porque tal seria a negação da justiça. Orar a pedir mercês ou favores, com promessas de ouro ou de incenso se o pedido for atendido, é inferir que a salvação está ao alcance do que mais puder pagar, que Deus está precisando de dinheiro e pode ser “comprado”. O homem pode mostrar compaixão pelo homem, mas só raramente o faz; o Ente Supremo só pode mostrar justiça. Nós somos almas imortais. A nossa oração: Om! ma-ni pad-me Hum! – adiante transcrita – tem sido por vezes traduzida literalmente como: “Salve, ó Jóia no Lótus!”. Mas os que conhecem melhor os textos sabem que o verdadeiro significado é: “Salve, ó Ser Íntimo e Superior no Homem!”. Não existe a morte. Assim como ao fim do dia um homem despe suas roupas, assim a alma se desfaz do corpo quando este dorme. Assim como um terno é posto de lado quando está surrado, assim a alma se desembaraça do corpo quando este está gasto e velho. A morte é nascimento. Morrer é simplesmente o ato de nascer num outro plano de existência. O homem, ou melhor, o espírito do homem é eterno. O corpo é um mero invólucro temporário que cobra o espírito, que é escolhido de acordo com a missão a cumprir na Terra. A aparência exterior é, portanto, de pouquíssima importância. O que importa é a alma que está lá dentro. Um grande profeta pode aparecer nas vestes de um mendigo, enquanto um homem que muito pecou na sua vida anterior pode desta vez nascer na riqueza, para a experimentar e ver se continua a pecar quando não tem a desculpa da pobreza para o tentar.

Om! ma-ni pad-me Hum!

Om! ma-ni pad-me Hum!

“A Roda da Vida” – é assim que designamos o ato de nascer, viver, voltar à condição espiritual e, em devido tempo, renascer em condições e circunstâncias diferentes. Um homem pode sofrer muito durante a sua existência, e isso não significa necessariamente que na sua vida anterior foi um pecador: talvez essa seja a melhor maneira de aprender certas coisas. A experiência pessoal é o melhor mestre! Uma pessoa que se suicida pode renascer para viver os anos cortados prematuramente, mas não se segue que todos os que morrem novos ou quando bebês foram suicidas em vidas anteriores. A Roda da Vida aplica-se a todos, mendigos e reis, homens e mulheres, brancos e negros. A Roda, é claro, não passa de um símbolo, que serve para tornar a idéia mais simples para aqueles que não têm tempo suficiente para estudar o assunto mais a fundo. É impossível explicar as crenças tibetanas em um ou dois parágrafos: o Kan-Gyur, as Escrituras tibetanas, consiste em mais de cem volumes sobre o assunto, e mesmo esses não o tratam exaustivamente. Há muitos outros livros guardados em lamastérios remotos e que só aos iniciados é dado ler.

Os povos orientais conhecem há muitos séculos a existência de forças e leis ocultas e sabem que se trata de leis naturais. Em vez de tentar demonstrar a não existência de tais forças, só porque não podem ser pesadas ou medidas, os homens de ciência do Oriente têm-se esforçado por aumentar o seu domínio sobre essas leis da natureza. A mecânica da clarividência, por exemplo, nunca nos preocupou demasiadamente; o que nos interessa são os resultados da clarividência. Alguns duvidam da sua existência: esses são como os cegos de nascença, que dizem que a visão é impossível porque não têm dela qualquer noção, porque não podem compreender que um objeto possa ser visto a distância sem haver com ele contato direto!

As pessoas têm auras, perfis coloridos que circundam o corpo, e pela intensidade dessas cores as pessoas experimentadas nesta arte podem deduzir o estado de saúde, o caráter e o estado geral do desenvolvimento espiritual da pessoa. Essa aura é a radiação da força vital íntima, do eu, ou da alma. À volta da cabeça existe uma espécie de halo, que faz parte da mesma força. No momento da morte essa luz diminui um pouco, quando a alma abandona o corpo na sua viagem para o estágio seguinte da sua existência. Vagueia um pouco, perturbada talvez pelo choque da sua libertação do corpo. É possível, por vezes, que não tenha perfeito conhecimento do que se passa. É por isso que há sempre lamas à cabeceira dos moribundos, para ir informando os espíritos dos estágios sucessivos por que a alma vai passando. Se tal não o fizer, o espírito pode ficar preso à Terra pelos desejos da carne; é dever dos sacerdotes quebrar essas ligações.

– Trecho extraído do livro “A Terceira Visão” de Lobsang Rampa, editora Círculo do Livro, páginas 129 a 132.

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