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Após Bilbo Bolseiro despedir-se de Gandalf, partindo em viagem para Valfenda, ele entoa uma cantiga de viajantes, muito comum na Terra-média, pois Gandalf também canta a mesma canção em outros momentos, e achei apropriada para abrir este texto. Leia, entenda e reflita:

forest

A Estrada em frente vai seguindo
Deixando a porta onde começa.
Agora longe já vai indo,
Devo seguir, nada me impeça;
Em seu encalço vão meus pés,
Até a junção com a grande estrada,
De muitas sendas através.
Que vem depois? Não sei mais nada.

J.R.R. Tolkien – O Senhor dos Anéis, A Sociedade do Anel

Pois bem. Ultimamente, ou não tão ultimamente assim, estou com algumas indagações que não me dão sossego: Como fazer para enfrentar os medos ? Como tomar a decisão mais certa ?

Não sei. Quero ver se consigo chegar em algum lugar com este texto.

Como definir o que sinto ? Seria só medo mesmo ? Não, acho que há algo mais. Um quê de preguiça, um quê de acomodamento, também. O problema em não arriscar está em não se realizar. “Quem não arrisca não petisca”, já dizia alguém muito sábio.

Acho que tenho medo de cair na mesmice. De arriscar e continuar tão entediado ou chateado quanto antes. Mas não é algo previsível, então, não dá pra ter certeza.

Já passei por isso. Já escrevi o raciocinio do que deve ser feito, diversas vezes inclusive. Não adianta. Posso escrever mais um milhão de vezes como devo proceder, não é assim que mudarei. Só mudarei quando tomar a atitude necessária. Ficar “patinando em sabão” não vai me levar a lugar algum.

Vou ter que me arriscar, tentar. É difícil, porque de acordo com a criação que tive e com o que as pessoas me disseram, criou-se em mim uma forma de pensar fixa. Essa forma fixa de pensamento é péssima para minha evolução pessoal. É como uma barreira que impede meu livre pensar, meu livre agir. É um muro criado pela sociedade, que me empareda no meu lugar-comum.

Esse lugar-comum é um ambiente socialmente aceitável e seguro, onde sei onde estou e sei razoavelmente bem onde estarei no futuro. Minha vida será estável, não serei de todo triste, não passarei fome nem necessidade… mas não terei alcançado tudo o que poderia. Não terei exercido tudo o que possuo, toda a minha capacidade… estará desperdiçada em algum porão psíquico dentro de mim.

A saída que vejo é forçar essa barreira, tentando derrubá-la ou atravessá-la. Tirando-a de dentro da minha personalidade, poderei ser o que realmente sou, sem impedimentos. Sem nenhuma barreira auto-imposta.

Mas isso exige muita força de vontade. Estou lutando contra meus próprios pré-conceitos, e este é o maior desafio. Quem pode fazer isso além de mim ? Ninguém. Ninguém pode, e ninguém consegue. Esta é minha tarefa, pois tem de ser assim. É essencial para que eu realmente aprenda.

Então agora o que devo fazer é reunir forças. Juntar toda a força que conseguir, traçar um plano e executá-lo, por mais temeroso que eu esteja. Acho que preciso ser mais otimista, pensar positivo. Se eu começar algo já pensando que dará errado, não vai funcionar…

Fora tudo isso, preciso saber o que quero. Este é o principal ponto. Ouvir meu coração (é a pura verdade, pois mais brega que essa afirmação possa parecer), sentir o que eu quero, do fundo da minha alma. Quais são meus maiores anseios ? Qual é a ocupação pela qual vale a pena dedicar a vida ? O que me faz sentir completo, realizado, dentro do meu caminho ? O que é que me faz querer me dedicar mais e mais, sempre ? Em que posso aplicar minha criatividade, minha sensibilidade, meu raciocínio, meu esforço ? Hehehe… Estou começando a ter bons palpites…

Você já se fez essas perguntas ? Se não fez, deveria. Pergunte a si mesmo. Quais as respostas para essas perguntas ? Como você é, como você pensa ? Seja sincero consigo mesmo. Aprenda com você. Conheça mais você, sem receio do que possa encontrar. Não é fácil, pois as vezes temos partes nossas que não nos agradam, mas que são partes que estão precisando de nossa atenção. Cuide de si, de todas as “partes”, em sua totalidade, sem negligenciar nada. O autoconhecimento é o maior tesouro que um ser humano pode possuir, muito além de quaisquer riquezas materiais. Isso é algo em que ainda estou engatinhando…

Bom, agora vem a parte mais difícil. Aplicar tudo na prática, na vida, no dia-a-dia. Tenho que lembrar que, o que estou fazendo, é pra mim mesmo. É para minha realização, para encontrar meu lugar na vida, pois se continuar como estou, é como uma turbina a jato sem estar acoplada a um avião: imenso potencial para voar nas alturas, mas sem o meio físico para isso.

Voltando à história de Bilbo Bolseiro do livro “O Hobbit”: ele deixou o calor de sua lareira, de sua despensa lotada de guloseimas, e partiu em busca do desconhecido, em busca do tesouro de um dragão solitário. Bilbo tinha em seu sangue as duas personalidades: o lado Bolseiro de seu pai, que apreciava a vida mansa e a calmaria; e o Tûk de sua mãe, que descendia de seus parentes aventureiros, desde Urratouro; às vezes o lado Tûk fervia dentro dele, uma vontade incompreensível de aventura, de desbravamento do desconhecido… de viagens longas, de florestas densas e montanhas rochosas. Pois bem, é minha hora de despertar o meu Tûk interno. Pois que ele venha ! Já é chegada minha hora de conquistar o tesouro do Dragão !

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Voce está em casa. Olhando e-mails. Da uma olhada no orkut também. Dai vê um link interessante, clica nele para ver qual é a do site. Gosta, e continua lendo. Da uma olhada rápida no relógio, vê que ja passou meia hora desde que abriu o e-mail… “tudo bem, ainda da tempo”, pensa… e continua no site…

Volta ao orkut para ver os recados. Vê que aquela pessoa que você queria muito uma resposta te enviou um recado. Você entra no perfil dela… e dai bate o olho mais uma vez no relógio… já passaram mais 45 minutos !!!

“Fala sério, qual o problema desse relógio?”

Aquela sensacao de raiva passa por você, porque você havia feito planos para hoje a noite, queria que desse tempo de fazer tudo o que planejou, mas está cansado demais e o tempo parece escorrer por entre seus dedos, como se fosse areia…

Aí, quando aconteceu isso bem agora, o que fiz foi simplesmente abraçar o escoamento do tempo. Tá passando rápido ? Beleza então. To cansado demais, foi um dia cheio, quer saber ? Vou relaxar. E que se dane o resto. Posso estar errado, mas no momento estou respeitando os limites do meu corpo. Procuro ter um equilíbrio em tudo na vida. Trabalhar demais é ruim. Ficar só ‘coçando’ também é ruim. Procuro o meio-termo, pois aí está o ponto certo para tudo… inclusive para o bendito (ou maldito ?!) ponteiro do relógio que não pára nem desacelera.

Segundas-feiras pós feriado sempre são desafiadoras. Você acorda relutante, não quer sair da sua cama. Você se lembra do sonho que acabou de ter, e quer voltar para ele. Por que você não volta? Porque não pode. No canto da sua mente, você pensa: “É Segunda”. Você espanta toda a preguiça, aquela moleza corporal, ordena suas pernas, seus músculos, seus “macacos hidráulicos orgânicos”, a trabalharem. De pé, tirando as nuvens e teias de aranha da percepção, você se dá conta dos sons da manhã: buzinas, caminhões, pássaros, carros saindo de garagens e barulhos na cozinha. Você sente o cheiro de café, e enxerga os raios amarelos batendo no sofá da sala. Depois de uma rápida “manutenção” no banheiro e de tomar um café, de se aprontar e de sair para o trabalho, você reflete um pouco enquanto dirige.

Por que temos que fazer o que supostamente devemos fazer ? Não seria tão melhor ficarmos em casa, fazendo o que desse na telha ? Esse recomeço pós feriado é realmente difícil, pois você de certa forma já estava se adaptando aos dias livres. Indo dormir a hora que quisesse, acordando tarde, largando a cama desarrumada, vendo tv com qualquer roupa, comendo tranqueiras, ouvindo musica… enfim, fazendo as coisas a seu bel-prazer, a hora que quisesse e como lhe conviesse. Esse desleixo é bom, faz parte do descanso e não há quem não goste disso. Mas como tudo que é bom passa rápido, segunda-feira chega e vem cobrar com juros as regalias que você teve no final de semana. É nessa hora que temos 2 opções:

  • Pegar no tranco: você chega no trabalho, toma akele cafézão reforçado, abre seus e-mails e “engata primeira” no seu dia.
  • Marcha lenta (mais conhecido como Turtle Mode): você chega, dá uma olhada rápida nos e-mails pra ver se não tem nada urgente… vai la bater um papo com seu amigo…e vai fazendo as coisas aos poucos sem pressa, e espera que o ritmo vá se acelerando naturalmente até você estar ligadão de verdade.

Seja qual for sua escolha, Duty Calls. O principal é ter em mente que tudo é passageiro. O feriado passou, mas a semana também passará. Eu estou tentando reunir forças para “pegar no breu”, como diriam os antigos. E consegui ! Ah, nada como escrever um pouco para ligar os neurônios. Bom Dia!

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