Continuando com a transcrição do capítulo “Crenças Tibetanas” do Livro “A Terceira Visão” de Lobsang Rampa, o autor descreve os serviços religiosos dedicados ao mortos, a crença na reencarnação, nas viagens astrais e outras coisas mais…

Caso você não tenha lido a primeira parte, é recomendável que faça um pequeno retorno para pegar o “fio da meada” antes de continuar sua leitura:

O Tibete de Lobsang – parte I

Continuando com a parte II…

Rezam-se serviços para guiar espíritos a intervalos frequentes. A morte, para os tibetanos, não encerra terror algum, pois acreditam que se tomarem certas precauções a passagem de uma vida para a outra pode ser grandemente facilitada. Mas para isso é necessário seguir caminhos perfeitamente definidos, pensar segundo certos princípios. Esses serviços religiosos são conduzidos num tempo com a presença de cerca de trezentos monges. No centro do templo fica um grupo de cinco lamas telepáticos sentados num círculo, virados para dentro. Enquanto os monges, dirigidos pelo abade, entoam seus cânticos, os lamas tentam manter contato telepático com almas errantes. É impossível fazer uma tradução das orações tibetanas que lhes faça inteira justiça, mas aí fica uma tentativa:

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós que andais perdidos nas regiões marginais. Os vivos e os mortos vivem em mundos separados. Onde poderemos ver as vossas caras e ouvir as vossas vozes? Acendemos agora o primeiro pau de incenso para atrair uma alma errante e guiá-la ao seu caminho.”

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós que andais perdidos. As montanhas erguem-se para o céu, mas nenhum som se ouve. As águas são encrespadas pelas brisas suaves e as flores continuam a florir. As aves não voam quando vos aproximais porque não vos podem ver nem pressentir. Acendemos um segundo pau de incenso para atrair uma alma errante e guiá-la ao seu caminho.”

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós que andais perdidos. Este é um mundo ilusório. A vida não passa de um sonho. Todos os que nascem morrem. Só o caminho de Buda conduz à vida eterna. Acendemos agora o terceiro pau de incenso para atrair uma alma errante e guiá-la no seu caminho.”

“Escutai as vozes das nossas almas, todos vós, guerreiros e invasores que feriram e mataram. Onde estão agora as vossas hostes? A terra geme e as ervas daninhas crescem nos campos de batalha. Acendemos agora o quinto pau de incenso para atrair as almas solitárias de generais e senhores para que sejam guiadas.”

“Escutai as vozes das nossas almas, artistas e escritores, todos os que trabalham a pintar e a escrever. Foi em vão que esforçastes as vossas vistas e gastastes as placas de escrever. Nada é lembrado do vosso esforço e as vossas almas continuam. Acendemos agora o sexto pau de incenso para atrair e guiar as almas de artistas e escritores.”

“Escutai as vozes das nossas almas, virgens belas e damas suntuosas, cuja juventude podia ser comparada à frescura das manhãs de primavera. Depois das carícias dos amantes vem o quebrar dos corações. O outono, depois o inverno, chegam, as árvores e as flores murcham, assim como a beleza, e tornam-se meros esqueletos. Acendemos agora o sétimo pau de incenso para atrair as almas das virgens e das damas e guiá-las, libertando-as das ligações deste mundo.”

“Escutai as vozes das nossas almas, mendigos e ladrões, todos os que cometeram crimes contra os seus semelhantes e não podem agora descansar. As vossas almas vagueiam sem amigos pelo mundo e não encontrais justiça dentro do próprio peito. Acendemos agora o oitavo pau de incenso para atrair todas as almas pecadoras que agora vagueiam sozinhas.”

“Escutai as vozes das nossas almas, prostitutas, mulheres da noite e todos aqueles sobre quem se cometeram pecados e que vagueiam agora sozinhos nos reinos espectrais. Acendemos agora o nono pau de incenso para os atrair e guiar, libertando-os das prisões deste mundo.”

Na penumbra do templo, impregnado de incenso, as luzes bruxuleantes das lamparinas de manteiga faziam as sombras dançar, como vivas, por trás das imagens douradas. A atmosfera tornava-se tensa com a concentração dos monges telepáticos que se esforçavam por manter contato com os que tinham deixado este mundo, mas que no entanto a ele ainda se encontravam ligados.

Monges de mantos vermelhos, sentados em linhas, frente a frente, entoavam a litania dos mortos; tambores ocultos batiam os ritmos do coração humano; de outras partes do templo, como de um corpo vivo, ouvia-se o murmurar de vísceras humanas, o correr dos fluidos do corpo humano, o suspirar do ar nos pulmões. Conforme a cerimônia avançava e se davam direções às almas dos mortos, o ritmo desses sons corporais transformavam-se, tornava-se mais lento, até que por fim se ouvia o som do espírito a abandonar o corpo. Um estertor ofegante e tremente – e silêncio. O silêncio que vem com a morte. Naquele silêncio, mesmo o menos psíquico dos indivíduos podia sentir que havia outros seres à volta esperando, escutando. Gradualmente, à medida que as instruções telepáticas continuavam, a tensão diminuía quando os espíritos errantes seguiam para o estágio seguinte na jornada.

Nós acreditamos firmemente que o espírito renasce vezes consecutivas. Mas a sua volta pode não se processar neste planeta. Há milhões de mundos, e nós sabemos que a maioria deles é habitada. Esses habitantes podem ser de formas muito diferentes das  que nós conhecemos, podem até ser superiores a seres humanos. Nós, no Tibete, nunca aceitamos a doutrina de que o homem constitui a mais elevada e a mais nobre de todas as formas de vida. Acreditamos que em outros mundos se encontram formas vivas muito mais aperfeiçoadas, e que essas não se divertem a lançar bombas atômicas. No Tibete ouvi relatos de objetos estranhos que tinham sido vistos no céu, “os carros dos deuses”, como a maioria das pessoas lhe chamaram. O Lama Mingyar Dondup contou-me que um grupo de lamas tinha estabelecido comunicação telepática com esses “deuses”, que disseram que estavam a observar a Terra, ao que parece exatamente com o mesmo espírito com que os humanos visitam um jardim zoológico para observar animais selvagens e perigosos.

Muito se tem escrito acerca da levitação. A levitação é possível, vi-a praticada muitas vezes, mas requer imensa prática. Não há vantagem alguma em praticar levitação, uma vez que existe um sistema muito mais simples. As viagens astrais são mais práticas e certas. A maioria dos lamas entrega-se à sua prática, e qualquer pessoa com a paciência preparada pode entregar-se a essa arte útil e agradável.

Durante as horas em que estamos acordados a nossa alma encontra-se encerrada no corpo físico, e a menos que se tenha grande treino é impossível separar as duas entidades. Quando dormimos, só o corpo físico necessita de repouso, o espírito liberta-se e geralmente vai para o reino do espírito exatamente como uma criança volta ao seu lar ao fim de um dia na escola. A alma e o corpo mantêm-se em contato por meio do “cordão de prata”, cuja capacidade de extensão é infinita. O corpo mantém-se vivo desde que o cordão de prata se mantenha intacto; por ocasião da morte, o cordão quebra-se quando o espírito renasce para a outra vida, exatamente como a um bebê o cordão umbilical é cortado para o separar do corpo materno; o nascimento, para um bebê, representa o fim da vida abrigada que viveu no útero materno. A morte, para o espírito, é um novo nascimento no mundo mais livre do espírito. Enquanto o cordão de prata está intacto, a alma tem liberdade para vaguear durante o sono, ou, no caso de indivíduos especialmenete treinados, mesmo durante os períodos de consciência. Esse vaguear do espírito dá origem a sonhos, que não são mais que impressões transmitidas ao longo do cordão de prata. Quanto ao cérebro físico, recebe estas impressões, racionaliza-as para as fazer compreensíveis à luz da sua experiência terrena. No mundo do espírito não existe tempo – “tempo” é um conceito puramente físico – e por isso temos os casos freqüentes de sonhos longos e complexos que parecem ocorrer durante uma fração de segundo. Provavelmente todos conhecem a experiência de sonhar com uma pessoa distante, um amigo que vive para além dos mares, que se encontra e com quem se fala. Recebe-se nesse sonho uma mensagem, e ao acordar tem-se geralmente a sensação de qualquer coisa de que é preciso recordar. Com frequência fica-nos na memória esse encontro com um amigo ou parente distante e não nos surpreendemos ao receber notícias dessa pessoa dentro de pouco tempo. Naqueles que não são treinados, essa memória é por vezes deformada e o resultado é um sonho ilógico ou um pesadelo.

– Trecho extraído do livro “A Terceira Visão” de Lobsang Rampa, editora Círculo do Livro, páginas 132 a 136.

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