Ultimamente tem havido uma polemica muito grande em torno do Tibete com relação ao jugo chinês a esse pequeno país pacífico, então resolvi publicar algumas informações culturais desse povo tão pacato, religioso e ímpar, mas que infelizmente tem sofrido bastante.

Passei a me interessar e a gostar do Tibete desde que li os livros de Lobsang Rampa, pois ele descreve os costumes, tradições, religião e a cultura em geral de seu povo com bastante objetividade e riqueza de detalhes. Resolvi aproveitar um capítulo de seu famoso livro, “A Terceira Visão”, em que ele faz uma breve descrição dos principais costumes de sua terra natal. Irei publicando este capítulo aos poucos pois do contrário ficaria um tanto sobrecarregada a leitura. Espero que apreciem o contato com essa cultura tão diferente da nossa.

Capítulo dez

CRENÇAS TIBETANAS

Talvez seja interessante, nessa altura da minha narrativa, fornecer alguns pormenores acerca do nosso estilo de vida. A nossa religião é uma variante do budismo, mas não existe nas línguas ocidentais qualquer palavra pela qual se possa traduzi-la literalmente. Referimo-nos a ela como “A Religião”, e aos que praticam  a nossa fé chamamos “internos”, enquanto a todos os outros chamamos “externos”. A palavra mais aproximada existente no Ocidente é o “lamaísmo”. Difere do budismo por ser uma religião de esperança e de crença no futuro.. Para nós, o budismo parece uma doutrina negativa, uma religião de desespero. Não faz parte das nossas crenças que um pai onisciente observe e guarde toda a gente por toda a parte.

Muita gente culta tem tecido comentários eruditos sobre a nossa religião. Muitos nos condenam simplesmente por estarem cegos pela própria fé e serem incapazes de ver de outra maneira. Outros vão ao ponto de nos chamarem “satânicos” simplesmente porque os nossos costumes lhes são estranhos. A maioria desses comentadores baseia as suas opiniões em informações ou nos escritos de outros. É possível que alguns, bem poucos, tenham estudado as nossas crenças durante uns dias, e assim se julguem na posse de conhecimentos que os tornem suficientemente habilitados para escrever livros e para interpretar e divulgar o que os nossos sábios mais argutos levam vidas inteiras para descobrir.

Imaginem-se os ensinamentos colhidos por um budista ou um hindu que folheasse durante uma ou duas horas as páginas da Bíblia e depois se atrevesse a explicar as sutilezas da doutrina cristã ! Nenhum desses escritores que se têm ocupado do lamaísmo viveu como monge num lamastério a estudar os nossos livros sagrados. Tais livros são secretos; secretos na medida em que não estão ao alcance daqueles que querem obter a salvação rápida, sem esforço. Aqueles que querem a consolação de um ritual, uma forma de auto-hipnotismo, que a procurem, se isso os faz mais felizes. Mas isso não corresponde à Realidade Última, não passa de uma forma de se enganarem a si próprios como crianças. Para alguns talvez seja reconfortante poder pensar que podem cometer pecado atrás de pecado, e que depois, quando a consciência começa a tornar-se incômoda, basta uma oferenda aos deuses no templo mais próximo para obter perdão imediato, completo e certo, de forma a poderem recomeçar a sua nova série de pecados. Existe um Deus, um Ente Supremo. Que importância tem o nome que se lhe dá? Deus é um fato.

Os tibetanos que estudaram os verdadeiros ensinamentos de Buda nunca oram a pedir mercês ou favores; limitam-se a pedir que lhes  seja dado contar com a justiça dos homens. Um Ente Supremo, por natureza, a própria essência da justiça, não pode mostrar compaixão por um e negá-la a outro, porque tal seria a negação da justiça. Orar a pedir mercês ou favores, com promessas de ouro ou de incenso se o pedido for atendido, é inferir que a salvação está ao alcance do que mais puder pagar, que Deus está precisando de dinheiro e pode ser “comprado”. O homem pode mostrar compaixão pelo homem, mas só raramente o faz; o Ente Supremo só pode mostrar justiça. Nós somos almas imortais. A nossa oração: Om! ma-ni pad-me Hum! – adiante transcrita – tem sido por vezes traduzida literalmente como: “Salve, ó Jóia no Lótus!”. Mas os que conhecem melhor os textos sabem que o verdadeiro significado é: “Salve, ó Ser Íntimo e Superior no Homem!”. Não existe a morte. Assim como ao fim do dia um homem despe suas roupas, assim a alma se desfaz do corpo quando este dorme. Assim como um terno é posto de lado quando está surrado, assim a alma se desembaraça do corpo quando este está gasto e velho. A morte é nascimento. Morrer é simplesmente o ato de nascer num outro plano de existência. O homem, ou melhor, o espírito do homem é eterno. O corpo é um mero invólucro temporário que cobra o espírito, que é escolhido de acordo com a missão a cumprir na Terra. A aparência exterior é, portanto, de pouquíssima importância. O que importa é a alma que está lá dentro. Um grande profeta pode aparecer nas vestes de um mendigo, enquanto um homem que muito pecou na sua vida anterior pode desta vez nascer na riqueza, para a experimentar e ver se continua a pecar quando não tem a desculpa da pobreza para o tentar.

Om! ma-ni pad-me Hum!

Om! ma-ni pad-me Hum!

“A Roda da Vida” – é assim que designamos o ato de nascer, viver, voltar à condição espiritual e, em devido tempo, renascer em condições e circunstâncias diferentes. Um homem pode sofrer muito durante a sua existência, e isso não significa necessariamente que na sua vida anterior foi um pecador: talvez essa seja a melhor maneira de aprender certas coisas. A experiência pessoal é o melhor mestre! Uma pessoa que se suicida pode renascer para viver os anos cortados prematuramente, mas não se segue que todos os que morrem novos ou quando bebês foram suicidas em vidas anteriores. A Roda da Vida aplica-se a todos, mendigos e reis, homens e mulheres, brancos e negros. A Roda, é claro, não passa de um símbolo, que serve para tornar a idéia mais simples para aqueles que não têm tempo suficiente para estudar o assunto mais a fundo. É impossível explicar as crenças tibetanas em um ou dois parágrafos: o Kan-Gyur, as Escrituras tibetanas, consiste em mais de cem volumes sobre o assunto, e mesmo esses não o tratam exaustivamente. Há muitos outros livros guardados em lamastérios remotos e que só aos iniciados é dado ler.

Os povos orientais conhecem há muitos séculos a existência de forças e leis ocultas e sabem que se trata de leis naturais. Em vez de tentar demonstrar a não existência de tais forças, só porque não podem ser pesadas ou medidas, os homens de ciência do Oriente têm-se esforçado por aumentar o seu domínio sobre essas leis da natureza. A mecânica da clarividência, por exemplo, nunca nos preocupou demasiadamente; o que nos interessa são os resultados da clarividência. Alguns duvidam da sua existência: esses são como os cegos de nascença, que dizem que a visão é impossível porque não têm dela qualquer noção, porque não podem compreender que um objeto possa ser visto a distância sem haver com ele contato direto!

As pessoas têm auras, perfis coloridos que circundam o corpo, e pela intensidade dessas cores as pessoas experimentadas nesta arte podem deduzir o estado de saúde, o caráter e o estado geral do desenvolvimento espiritual da pessoa. Essa aura é a radiação da força vital íntima, do eu, ou da alma. À volta da cabeça existe uma espécie de halo, que faz parte da mesma força. No momento da morte essa luz diminui um pouco, quando a alma abandona o corpo na sua viagem para o estágio seguinte da sua existência. Vagueia um pouco, perturbada talvez pelo choque da sua libertação do corpo. É possível, por vezes, que não tenha perfeito conhecimento do que se passa. É por isso que há sempre lamas à cabeceira dos moribundos, para ir informando os espíritos dos estágios sucessivos por que a alma vai passando. Se tal não o fizer, o espírito pode ficar preso à Terra pelos desejos da carne; é dever dos sacerdotes quebrar essas ligações.

– Trecho extraído do livro “A Terceira Visão” de Lobsang Rampa, editora Círculo do Livro, páginas 129 a 132.

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